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ANO 2000: DOS 500 ANOS DA "DESCOBERTA" AO PRIMEIRO DE MAIO
(Das comemorações da burguesia às comemorações dos trabalhadores)

 

Nesses últimos dias o mundo "globalizado" e interligado pela mídia pôde assistir e compreender, chocado, qual o real significado de "democracia", "cidadania", "direitos da pessoa humana", entre muitas outras palavras e frases vazias pronunciadas pelo governo dos capitalistas brasileiros.

Ainda que tais frases, cinicamente pronunciadas, não sejam privilégio dos governantes brasileiros, mas de todos os governantes capitalistas do mundo, o Estado de Sítio montado em Porto Seguro, na Bahia - onde, há 500 anos, acontecera a "descoberta do Brasil" -, contra índios, camponeses, estudantes, trabalhadores e pessoas simples em geral, deixa bem claro não só o real significado de tais frases, como também do que é que a burguesia e seus representantes estatais e governamentais têm a comemorar neste país.

E eles de fato têm muito o que comemorar. Eles têm a comemorar os cerca de 3 séculos de exploração escravista através da qual seus ancestrais (a aristocracia escravagista) acumularam riquezas sobre o sangue e o suor de índios e negros dizimados e aniquilados pela escravidão, pela exaustão física e espiritual, pela perseguição e pelo assassinato em escala de massa; eles têm também a comemorar os restantes cento e tantos anos de exploração capitalista durante os quais também retiraram mais sangue e mais suor dos trabalhadores assalariados, camponeses e demais pessoas simples da população.

Só quem de fato nada tem a comemorar são todos esses explorados vivos que, em memória de seus próprios sofrimentos como dos sofrimentos de seus antepassados, têm, ao contrário, de amargar a mais justificada indignação. Daí porque o show de cinismo, de repressão ditatorial e de esbanjamento de recursos públicos exibido em Porto Seguro, não diz respeito às pessoas do povo que lá foram para um justo e merecido protesto, mas que lá mesmo foram recebidos a bala e porrete.

Mas se o governo - principalmente os quintais dos senhores FHC e ACM - pensavam que tudo ia "dar certo", ou seja, que responderiam com a repressão e tudo, uma vez passado o ato, seria comodamente esquecido, enganaram-se redondamente. E isso porque não só deixaram toda a opinião pública enojada com tanta arbitrariedade ditatorial, fascista, como também, aliás principalmente, porque deixaram os manifestantes (índios, camponeses, estudantes e trabalhadores) mais resolutos e encorajados do que antes para a continuidade da denúncia, do protesto, da mobilização e da luta.

Como o tiro saiu pela culatra, a truculência só serviu para liberar energias adormecidas que se traduzirão em movimentos multiplicados de decidida e ativa demonstração de descontentamento com toda a podridão instalada ponta a ponta neste país. A "recepção armada" soou como um intolerável desaforo político que os trabalhadores não deixarão passar em branco e sem resposta - até porque passaram a contar, mais resolutamente ainda, com o apoio da opinião pública, inclusive internacional.

Encerrado o principal da encenação da burguesia, tem vez agora, apenas uma semana depois, uma comemoração de verdade, o Primeiro de Maio, esta sim, uma data revivida não à base de mentiras e engodos, mas de lembranças de memoráveis lutas dos trabalhadores de todo o mundo contra a exploração capitalista - lutas nas quais também muitos desses heróis anônimos do trabalho tombaram em nome do fim mais nobre da ação dos que trabalham: varrer a exploração capitalista da face da Terra.

POR UM PRIMEIRO DE MAIO DE LUTA CONTRA
A EXPLORAÇÃO E A OPRESSÃO CAPITALISTA