EDITORIAL
Estamos apresentando ao movimento dos trabalhadores o primeiro número do nosso jornal da Oposição Operária, nascido da necessidade de melhor instrumentalizar a organização dos trabalhadores em torno de bandeiras que julgamos fundamentais nessa tarefa, essencialmente de reconstrução de formas de luta e de organização autônomas e livres da interferência dos patrões e do seu Estado.
Entendendo o relevante papel que cumpre a imprensa operária, estamos nos propondo a colaborar no resgate dos movimentos dos trabalhadores que visam a superação da sociedade de classes, por intermédio desse novo veículo de comunicação, que agora apresentamos, o jornal Germinal.
Por tratar-se do jornal de número "zero", acreditamos fazer-se necessário uma breve história acerca da origem da Oposição Operária, compreendendo seu atual estágio de intervenção.
A partir da organização existente em algumas categorias, como as oposições a diretorias de sindicatos, desde meados da década de 80, um grupo de companheiros ligados à oposição "Nós Bancários" e à oposição rodoviária "A Estrada", resolveram constituir um núcleo de aglutinação em torno de propostas e projetos conjuntos vinculados às suas concepções de intervenção tática e estratégica na luta de classes.
Partindo da análise do movimento sindical e suas raízes históricas na ditadura varguista e no mundo, esse grupo de trabalhadores buscou e busca romper com a estrutura sindical em vigor e deu origem a uma série de discussões, tendo como referência o resgate de formas de organização que superem o modelo sindical em geral, e que aponte para os princípios universais de liberdade, autonomia e independência na organização dos trabalhadores.
Assim é que nos dias 10 e 11 de dezembro de 1994, contando com a participação dos companheiros das organizações já citadas e de outros segmentos afinados com o projeto, além de representantes de outras regiões do país, aconteceu em Salvador o I Encontro da Oposição Operária. Este teve como balizador dos debates a tese apresentada pela coordenação provisória da Oposição, da qual culminou com a aprovação da nossa Carta de Princípios.
Após esse primeiro evento de constituição dessa nova forma de organização, detalhada na Carta de Princípios, a Oposição Operária deu início à sua forma de intervir no movimento dos trabalhadores, sempre criticando o aparelhamento do sindicalismo oficial e apostando no resgate de formas clássicas de organização do poder operário. Como exemplo temos os círculos, as comissões e os conselhos de trabalhadores, formas estas que melhor detalharemos neste e em próximos números.
Desde então, a Oposição Operária tem organizado uma série de eventos, tais como plenárias, debates, seminários e cursos de formação, nos quais busca-se uma melhor preparação dos seus militantes e simpatizantes em torno das questões colocadas para o conjunto da classe trabalhadora.
Além desses eventos, a Oposição tem participado de encontros, congressos e seminários em vários ramos de produção, com textos e teses próprias, problematizando a realidade da classe trabalhadora e apontando alternativas de acordo com a nossa concepção do movimento.
Durante todo esse período, publicamos e distribuímos o boletim da Oposição Operária, quer seja o ordinário, para o conjunto dos trabalhadores, quer sejam os especiais, para segmentos e/ou ramos de atividade específicos. Em São Paulo, publicamos o periódico "Via Operária" com as mesmas características já descritas anteriormente.
Dessa forma é que chegamos a este novo jornal, como fruto de um trabalho comprometido com a construção de um movimento coeso e vigoroso, capaz de contribuir para o resgate das lutas históricas da classe trabalhadora, visando a edificação de uma sociedade justa, igualitária e socialista.
Tentaremos também trazer, nesta publicação, para a discutir com os trabalhadores, questões que a atual conjuntura tem-se esforçado para escamotear, buscando esconder por meio de conceitos dispersos e confusos, como o da chamada "pós-modernidade", as relações sociais que os indivíduos estabelecem entre si na busca de satisfação das suas próprias necessidades.
Procuraremos resgatar categorias de análise que sejam capazes de permitir uma busca sempre constante para desmistificar a realidade a partir dos seus desdobramentos específicos, sem perder a noção da totalidade, ou seja, de todos os fenômenos que participam da construção do todo social.
Enfim, eis o jornal da Oposição Operária, que esperamos seja criticado, cotejado, deglutido, mas que, acima de tudo, seja reconhecido como um instrumento que acrescenta algo de novo. Que seja um instrumento de formação e informação, inserido na luta dos trabalhadores e em consonância com os seus objetivos, os mais imediatos e os estratégicos.