EDITORIAL

É com extrema satisfação que percebemos a enorme receptividade, entre a classe trabalhadora, com que foi agraciada a publicação da edição de número zero de "GERMINAL". De todos aqueles a quem este foi ofertado, recebemos os elogios pela iniciativa e a manifestação de apoio para que a sua perpetuação seja garantida. Apesar da quantia simbólica de R$ 0,50 (cinqüenta centavos) solicitada para manutenção do expediente, foram muitos os que se dispuseram a colaborar com uma soma mais significativa, a fim de manifestar o seu apreço pelo trabalho realizado pela Oposição Operária desde a sua origem, bem como pelas idéias veiculadas pelo jornal.

A todos nós, coordenação, militância e simpatizantes da Oposição, causa-nos imensa alegria tamanha aceitação, assim como estimula-nos a trilhar nesse mesmo sentido, buscando garantir a continuidade do novo veículo, sempre divulgando idéias que proporcionem o fortalecimento da luta pela liberdade e autonomia dos trabalhadores e a organização de instrumentos de luta capazes de suplantar a burocrática estrutura sindical vigente e construir o embrião do futuro Poder Operário.

Estamos agora lançando a edição de número 1, dando continuidade a temas como a análise da conjuntura atual, marcada pela crise estrutural do modo de produção capitalista, pelo crescimento do desemprego também estrutural e pelo acirramento dos índices de violência que se exacerbam por todo o país. A guerra nos Balcãs, em nível internacional, recoloca na ordem do dia a discussão sobre um antigo e ao mesmo tempo atualíssimo projeto dos trabalhadores: O internacionalismo.

Trazemos ainda uma compilação e análise dos dados divulgados recentemente pela Organização Internacional do Trabalho, OIT, acerca dos casos de acidentes de trabalho verificados no mundo. São 475 ocorrências por minuto de trabalhadores vítimas de tais "acidentes" em todo o mundo, dos quais 02 causam óbito.

O nacionalismo retardatário do final do século XX, a trajetória do ideal nacionalista desde o século passado e as propostas da esquerda atual também são objetos de uma análise específica na presente edição. Numa sociedade onde predomina a lógica do lucro e o mercado mundial é o parâmetro para uma capacidade produtiva que tende ao infinito, seres humanos são tratados como peças descartáveis. Cada vez mais pessoas são excluídas do mercado de trabalho e não vêem mais nenhuma possibilidade de reintegração. Dentro de um cenário tão assustador, perguntamos: qual o projeto apresentado pelas direções das organizações "oficiais" da classe trabalhadora? Elas mesmas respondem: "O que importa agora é defender o Brasil".

Por fim, com o objetivo de levantar alguns questionamentos, procuramos analisar os atuais mecanismos de produção da "indústria cultural" e a sua inter-relação com os demais ramos de atividade econômica.

Eis então o nosso Jornal.