A QUE RESULTADOS LEVAM AS LUTAS CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES?
1. Introdução
De, aproximadamente, inícios da década
de 90 - Governo Collor - para os dias atuais - Governo FHC - com a substituição
do padrão fordista de acumulação (em crise final como totalidade)
pela chamada reestruturação produtiva e, conseqüentemente,
a substituição de políticas de caráter social-democrata,
nacional-populista ou ditatorial por uma política nacional neoliberal,
o país - e isso não só no Brasil-passou a vivenciar uma
onda interminável de privatizações de empresas públicas,
estatais e de economia mista, ao lado de sucessivas fusões de bancos
e grandes empresas na esfera do capital privado, como antes nunca acontecera.
Praticamente, toda a parcela da economia lastreada nas famosas empresas estatais,
tidas e havidas por políticos de carreira de determinadas forças
de "esquerda", dirigentes sindicalistas e intelectuais, como "patrimônio
do povo", foram, estão sendo e ainda serão - as restantes
- privatizadas, ou seja, vendidas, a "preço de banana", para
poderosos grupos de capitais, nacionais e estrangeiros. Lá se foram CSN,
Vale do Rio Doce, empresas de telefonia, etc., e estão indo também,
ou irão logo mais, os bancos estatais, inclusive o Banco do Brasil, a
Caixa Econômica Federal e os bancos regionais e estaduais de desenvolvimento
- e tudo o mais.
2. Por que acontecem as privatizações?
Antes de responder a esta pergunta temos de dar
resposta a uma outra que a antecede: por que e para que foram criadas as empresas
estatais? Foram implantadas para serem postas a serviço do povo ou, pelo
contrário, para rebaixar os custos de matérias-primas, combustíveis,
transportes e crédito para o capital privado, isto é, para o rebaixamento
dos custos de produção e circulação dos grandes
capitais? Ou melhor, foram criadas para constituírem "patrimônio
do povo", como alardeiam os burocratas dirigentes sindicalistas, ou para
se tornarem "patrimônio dos capitalistas"?
É só consultar a história. Com o início e a consolidação
da industrialização no Brasil, o que aconteceu desde o primeiro
governo Vargas até o governo Kubitschek, vale dizer, dos anos 30 ao início
dos anos 60, o capital privado, nacional e estrangeiro, passou a ser cada vez
mais investido em indústrias. Esses capitais industriais, que não
tinham ainda o porte que alcançaram hoje, depois de cerca de 60 anos
cresceram e se diversificaram à base da expropriação da
mais-valia produzida pelo operariado brasileiro. Antes de crescer, nem tinham
porte nem interesse compatíveis com os riscos existentes na exploração
de petróleo, energia elétrica, mineração em escala,
produção de obras de infra-estrutura (estradas, portos, etc.)
e muito mais. Mas, como precisavam de matéria-prima e infra-estrrutura
baratas, na verdade subsidiadas, não hesitaram em passar ao Estado o
ônus da exploração e implantação de unidades
que lhes forneceriam aço, energia, água, combustível e
crédito baratos. Deixaram de correr o risco, que foi assumido pelo Estado,
isto é, por nós que trabalhamos e que pagamos impostos, sendo
este ônus, pago por nós, que de fato passou a constituir o "nosso
patrimônio"-o "patrimônio do povo" passou a ser a
"conta a pagar", tanto pelos trabalhadores, que tiveram sua mais-valia
sugada nas empresas estatais, como pelos contribuintes, que pagaram os impostos
para edificá-las e para mantê-las; quanto ao resto, os lucros e
os benefícios, estes sim, passaram a constituir o verdadeiro "patrimônio
dos capitalistas".
Desta forma, BB, CEF, CSN, Petrobrás, Eletrobrás, DNER, Furnas,
Vale do Rio Doce, etc., nunca foram patrimônio de povo algum, mas patrimônio
dos senhores capitalistas que viram, em função delas, seus patrimônios
industriais (de capitais) crescerem à base de matérias-primas
e equipamentos de infra-estrutura baratos financiados por nós trabalhadores,
doadores de mais-valia (inclusive nas estatais) e pagadores de tarifas e impostos
escorchantes. Agora, passadas essas décadas todas, essas empresas, as
que dão ou podem dar lucro, são privatizadas, isto é, deixam
de ser patrimônio coletivo dos capitalistas para serem patrimônios
privados, distribuídas entre eles.
3. A outra função das estatais
Durante os anos que vão das décadas
de 20 e 30 aos da Ditadura, prevaleceu no país um modelo de acumulação,
baseado no fordismo, que operava à base de grandes contingentes de trabalhadores
- por isso mesmo sendo tanto o tempo de consolidação do capitalismo
brasileiro como a "era de ouro" do sindicalismo, que sempre se constituiu,
com raras exceções (que só fazem confirmar a regra), as
verdadeiras correias de transmissão dos interesses capitalistas no seio
do proletariado. Este papel de correias de transmissão, de conciliação,
teve início com os velhos "pelegos" herdados da era Vargas
e continuidade com os novos dirigentes sociais-democratas (os da era PT, CUT,
FS, etc.).
Durante todo esse tempo em que prevaleceu o fordismo, mobilizando para a produção
um numeroso proletariado, as lutas dos trabalhadores, apesar das travas interpostas
pelos sindicatos e as centrais, nunca deixaram de acontecer, em alguns momentos
tendo atingido grande radicalidade - como durante as greves do ABC paulista,
no início dos anos 80. Por isso, desde muito antes, alguns serviços
estatais, muitos dos quais arrancados à força, do governo, pelos
trabalhadores em luta, cumpriram função tanto de reposição
da força de trabalho na linha de produção como de instrumentos
ideológicos destinados ao controle da luta de classes, para que esta
não entornass a situação de equilíbrio do interesse
dos capitalistas. Mais uma vez comprova-se que algumas outras estatais, confirmando
a sua condição de "patrimônio (coletivo) dos capitalistas",
foram implantadas para manter o proletariado sob controle político e
ideológico.
4. Uma pequena lembrança acerca da natureza das empresas estatais
Existe mais uma mistificação barata,
alardeada pelos dirigentes sindicalistas e demais (inclusive da CUT), que deve
ser denunciada aqui e agora. As empresas estatais são empresas tão
capitalistas (capital estatal) como quaisquer outras. Estão, de fato,
tão sujeitas a todas as normas, regras e leis, de disciplina, exploração
de mais-valia e de mercado do sistema capitalista como as demais. Os que nelas
trabalham não são e nem se sentem em nada mais "livres"
e mais "donos" do que os demais trabalhadores que trabalham nas empresas
privadas. E até mesmo, tanto quanto acontece nas empresas privadas, são
demitidos, sem mais nem menos, em nome dos "enxugamentos", quer pelos
famosos PDVs ou por simples, brutais e diretas demissões. Quando, também,
adoecem em função do trabalho escorchante, não têm
nenhuma garantia de que permanecerão no emprego e de que serão
tratados como seres humanos normais pelo sistema médico do Estado (MT)
ou das próprias empresas..
Quem, então, manda nelas, o povo ou os senhores banqueiros e empresários
por intermédio do Estado? Se são "do povo", como nos
dizem o PT, a CUT, o PC do B, os dirigentes sindicalistas, etc., por que então
os trabalhadores nunca são chamados para discutir e deliberar, amplamente,
em assembléias de verdadeiros "donos" que supostamente seriam,
acerca das privatizações, das tarifas, das taxas de salários,
dos planos de demissões, etc.? Que "donos" são esses
que ficam sempre com a "banda podre" dos negócios e por fora
das deliberações?
5. Por que os dirigentes sindicalistas defendem tanto a empresa estatal?
Por que trazem reais benefícios aos trabalhadores
e à população? Já vimos que não-e veremos
mais ainda, na frente, que não é disso que se trata. É
por que são ou já se tornaram empresas socialistas? Também
não, pois, como já vimos, elas são empresas tão
capitalistas quanto as demais, com a única diferença de que pertenciam,
enquanto estatais, ao empresariado como conjunto, e não individualmente
(agora, como sabemos, elas pertencerão a grupos privados).
Os dirigentes sindicalistas e políticos de carreira ou de "esquerda",
que confundem as massas trabalhadoras chamando as empresas estatais de "patrimônio
do povo", só têm uma única intenção nisso
tudo: preservá-las para preservarem-se, eles próprios, num corporativismo
cada vez mais anti-democrático, burocrático, decadente e corrupto,
como casta burocrática que sobrevive às expensas das contribuições
sindicais e, como agora também acontece, explorando diretamente a mais-valia
dos trabalhadores que eles mantêm nas empresas adquiridas pelos próprios
sindicatos - que se tornaram, também eles, empresas capitalistas.
6. Mas o nacional-populismo e a social-democracia acabaram de vez. E agora?
a) o capitalismo não dá marcha-a-ré e os aproveitadores sabem disso
É preciso que os trabalhadores saibam, para dizê-lo claramente aos seus mistificadores, os senhores "líderes sindicalistas", que a marcha da história, inclusive a marcha da história específica do capitalismo, não se detém e nem volta atrás. Se se quer ter empresas "dos trabalhadores", isto não é possível nos marcos do capitalismo, mas só numa forma social (o socialismo) que seja resultado da ultrapassagem revolucionária do capitalismo com suas empresas de capital estatal ou de capital privado, umas e outras sujeitas às mesmas leis. Mas é preciso que fique claro também que, quando os senhores defensores das empresas estatais as defendem, chamando-as, para se justificarem, de "patrimônio do povo", não é porque achem que com estas empresas se tenha dado um salto (o que também seria falso pensar) na direção do socialismo. O que na verdade eles desejam é mantê-las no sistema capitalista e como empresas capitalistas, mesmo à base do capital estatal, para se perpetuarem como castas burocratas burguesas. Esses senhores desde muito já deixaram - se é que alguma vez o fizeram - de sustentar a necessidade de uma sociedade socialista. Estão de bem e em paz com o sistema no qual e pelo qual eles lutam, ao lado dos patrões, para perpetuar o sistema capitalista - e nisso estão incluídos muitas "forças de esquerda", muitos políticos sociais-democratas de carreira, todas as direções de centrais e de sindicatos - ou, neste último caso, quase todas, sobretudo as dos maiores.
b) a questão central
Vamos tocar agora no problema que é central
em tudo isso. O capitalismo já deixou para trás a fase puramente
taylorista (que prevaleceu nas primeiras décadas do século XX),
já deixou também para trás a fase fordista (que se baseava
na linha de montagem e trouxe as grandes concentrações operárias
e os grandes sindicatos dos anos 30 aos anos 70) e entrou, desde a década
de 70, na etapa da reestruturação produtiva (que está prevalecendo),
o que equivale a dizer que também deixou, da mesma forma definitivamente
para trás, tanto o populismo nacional-desenvolvimentista herdado dos
tempos de Goulart, etc., no Brasil, como a social-democracia no mundo em geral.
Enquanto o capitalismo prevalecer, nem padrão taylorista nem padrão
fordista puros terão chances de voltarem à baila como modelos
predominantes de acumulação; da mesma forma que nem o velho nacionalismo
burguês e nem a "nova" social-democracia, que foi enterrada
na Europa como sistema político dominante, em 1979, e que emigrou para
o Brasil, depois disso, no início da década de 80, pelas mãos
do PT, do PDT e da CUT, terão chances de retorno como formas gerais de
governo.
A reestruturação produtiva e seu parceiro político, o neoliberalismo,
vieram para substituí-los e para ficar - e isto porque correspondem às
novas exigências do atual estágio de acumulação (muito
mais contraditório e crítico) do sistema capitalista mundial.
O sistema capitalista dos dias atuais não tem mais qualquer condição
e nem interesse em manter e financiar programas de "bem-estar social"
como nos velhos tempos do fordismo e da social-democracia - e isto é
comprovado pelo fato de que qualquer governo, mesmo social-democrata (como foi
o de FHC e como seria o do PT), torna-se ou tornar-se-ia um governo neoliberal
tão logo, depois de eleito, tomasse posse das rédeas do Estado
burguês, neste estágio da acumulação capitalista
mundial.
Disso tudo segue que, mantendo de pé, como querem os sociais-democratas
(em franca decadência, sem norte e sem projeto - ou com projetos que não
se distinguem mais do projeto neoliberal), o sistema capitalista, é impossível
levar adiante a acumulação capitalista à base das empresas
estatais, da mesma forma que é impossível manter as políticas
de "bem-estar social" do passado. Voltar às empresas estatais,
ou mesmo mantê-las no pressuposto da permanência da acumulação
e da exploração capitalistas, nos dias atuais, é uma quimera
concreta e, no plano da propaganda, uma falsificação ideológica.
Da mesma forma que esperar uma nova política de "bem-estar social"
nos marcos deste capitalismo "enxugado", crítico, "globalizado"
e dotado de suas "qualidades totais", re-engenharias, toyotismos,
just in time e muito mais do que isso, não passa de um engodo a mais.
c) e as vantagens das estatais para o povo?
Mantendo de pé o sistema capitalista, seu modo de acumulação e exploração, seu modelo de organização do trabalho e da produção (a reestruturação produtiva), seu Estado e o neoliberalismo, é simplesmente impossível manter as empresas estatais e seus supostos (mas, como vimos, ilusórios) benefícios aos trabalhadores. Mantendo de pé este edifício, qualquer uma de suas partes constituintes terá de ser forçosamente mantida - seja ela a política neoliberal, a reestruturação produtiva, a concentração da renda, os baixos salários, a falta sistemática de assistência e o desemprego. Mantido de pé o capitalismo, novas formas de sobrevivência ou tentativas de vencer suas contradições crescentes só serão postas em prática pelos próprios grupos capitalistas, seus Estados e suas instituições internacionais. Mantido de pé o capitalismo, é impossível recuperar um padrão de vida e de sociabilidade que esteja de acordo com as necessidades das amplas camadas do povo trabalhador empregado ou desempregado. Mantido de pé o capitalismo, o que de novo está aparecendo e vai ser multiplicado são as contradições, o descontentamento popular e a mais acirrada luta de classes que o mundo já assistiu. E é isto que os senhores líderes sindicalistas não vêem porque não querem ver.
7. Quais os efeitos imediatos das privatizações?
A cada dia, a cada privatização feita,
sentimos na pele uma queda na qualidade dos serviços e na elevação
dos preços e das tarifas dos serviços prestados (contas de luz,
telefone, água, pedágio, serviços médicos e de educação,
etc.). As empresas privadas que adquirem o patrimônio das estatais tratam
logo de enxugá-las ainda mais e, em nome da concorrência, de rebaixar
os custos, elevar a taxa de exploração do trabalho e de acumular
mais. Estes efeitos são claros demais e não podem ser negados.
Podemos, no entanto, afirmar, a partir destas aparências, que é
pela recuperação das empresas estatais que esses problemas deixarão
de existir?
Claro que não. Já vimos, nas linhas anteriores, que as empresas
estatais jamais foram empresas dos trabalhadores e empresas que efetivamente
lhes trouxeram políticas e atitudes de promoção humana.
Mas vimos também que, mantendo-se o capitalismo de pé, a volta
das empresas estatais jamais será possível, pois se trata de um
processo irreversível. Não é só a falta de garantia
de que, com uma suposta volta das empresas estatais, caíssem preços
e tarifas, se elevassem salários e níveis de emprego e atendimento
- e algo mais. É mais do que isso: é que, mantendo-se o edifício
capitalista de pé, nada disso teria qualquer chance ou condição
de acontecer, e isto por tudo o quanto já foi dito mais atrás.
8. E a luta, abre-se mão dela? Ou qual o sentido que se deve dar a ela?
Se se quer resolver os imensos problemas dos trabalhadores
e do povo em geral, não se trata de tentar voltar atrás e de restaurar
formas capitalistas que se dissolvem, sem retorno, na crise universal em que
este sistema se envolve, mas sim em aproveitar a energia de luta que se armazena
no seio da condição e da situação do proletariado
(empregado, semi-empregado ou desempregado) para levar a luta para o futuro,
e não para resgatar formas capitalistas em decadência e dissolução.
A luta que os líderes sindicalistas desejam para manter as empresas estatais
não é nem radical nem potente para trazer tais empresas e seus
supostos benefícios sociais de volta, enquanto que a luta que está
sendo forjada no seio do descontentamento popular é de uma força
que seria pena gastá-la para alcançar apenas um retrocesso inóquo-sendo
mais apropriada para pôr em marcha, com força, uma nova perspectiva,
esta sim, positiva para os trabalhadores: a luta pelo socialismo.
Deve ficar claro, para evitar mal-entendidos propositalmente criados contra
Germinal, que não estamos a defender a venda, pelo Estado, muito menos
a preço de banana, de empresas estatais a grupos capitalistas que, com
tais empresas recebidas de graça, aumentam de muito seu porte capitalista
individual e seu potencial de exploração da classe operária.
O que desejamos aqui é, de um lado, demonstrar a falsificação
consistente na afirmação de empresas estatais são "patrimônio
do povo", que, por outro lado, tragam reais benefícios para os que
nela trabalham ou que possam ser recuperadas, elas e seus supostos benefícios,
mantendo-se o sistema do capital, ainda mais no estágio de acumulação
mundial a que chegou.
A nossa intenção foi, como se viu, revelar tanto a utilidade das
empresas estatais para o capital como a falsidade dos que sempre a defenderam
negando esta verdade mais do que evidente. A nossa intenção consiste,
finalmente, em colocar no centro da discussão o cerne da luta de classes,
que constitui outra coisa e isso independentemente das empresas estatais - até
porque, como deve ser lembrado, os operários parisienses puseram de pé,
embora por pouco tempo, a primeira experiência socialista do mundo - a
Comuna de Paris - quando não existiam empresas estatais e as demais revoluções,
como a da Rússia de Outubro de 1917, foram também levadas a efeito
sem que existissem ou fossem motivadas por empresas capitalistas estatais.
Todas as lutas e bandeiras de luta que devem ser postas em andamento e içadas
devem olhar para frente, e não para trás. Para exemplificar, ao
invés de meras manifestações para o retorno de empresas
estatais que continuariam, se pudessem retornar - já vimos que não
podem -, a serviço da burguesia, por que não realizar greves de
ocupação que abrem os olhos dos trabalhadores para a questão
central do Poder e para o socialismo? Por que não pôr em marcha
os desempregados exigindo emprego e, portanto, trabalho? Ou fazer ocupações
de terras e edifícios, exigindo, logo depois, verbas para a continuidade
da solução, com autonomia e em perspectiva, da produção
agrícola e da moradia? Ou exigir fundos de recursos governamentais para
a manutenção da educação e da saúde gratuita
para os trabalhadores e pessoas do povo em geral? Ou lutar pelos salários,
numa perspectiva anti-capitalista crescente? Ou lutar, ao mesmo tempo, contra
o caráter e os efeitos dos métodos e processos de organização
e produção conhecidos como reestruturação produtiva?
Ou por que não manter a luta, nesta e com esta perspectiva, contra o
aumento de preços, tarifas e impostos?
Estes são apenas alguns exemplos que servem para ilustrar como a luta,
que a energia armazenada dos trabalhadores - empregados e desempregados - pode
liberar (em face das contradições insolúveis alcançadas
pelo sistema capitalista atual em sua escala mundial), pode e deve ser direcionada
não para resgatar ilusões perdidas e que se foram com o passado,
mas para fazer nascer uma nova realidade que é a única capaz de
colocar a serviço dos homens e mulheres do povo a solução
unicamente possível, numa sociedade e sociabilidade desfetichizada, dos
seus enormes problemas e desafios tanto materiais como espirituais - atributos
humanos que o capitalismo sugou dos que verdadeiramente pagam a conta da riqueza
que os seus portentados acumularam e seguem acumulando.