EDITORIAL

Apesar  das dificuldades encontradas, chegamos ao nosso sexto número do Germinal, esta edição vem também marcando simbolicamente o nosso primeiro aniversário. Já que temos mantido, na medida do possível, a nossa periodicidade bimestral,  esse é um momento singular não só para refletirmos acerca da oportunidade deste periódico, da receptividade auferida entre o nosso público, mormente entre a classe trabalhadora, organizada ou não, da validade do esforço que temos empreendido  para sua  manutenção, bem como para “comemorarmos”, como não poderia deixar de ser, esse primeiro ano de existência.

Tanto a  oportuna e necessária reflexão já citada anteriormente, quanto a salutar comemoração vem sendo encaminhada pela coordenação da Oposição Operária, quer seja em suas reuniões ordinárias, ou em suas plenárias gerais e específicas. 

Assim, para marcarmos esse momento para mais além de um mero rito de passagem, estamos programando um debate entre setores importantes da classe trabalhadora organizada no intuito de discutirmos algo que para nós, está colocado enquanto premissa da nossa existência. Trata-se portanto, da “Atualidade do Movimento Comunista Internacional” . 

Pensamos em realizar eventos com tais características nas cidades de São Paulo e de Salvador. O evento de Salvador deverá ocorrer no próximo dia 23 de setembro, e daqui até aquela data estaremos divulgando maiores detalhes através do nosso site na internet, e/ou através de convites específicos. Em São Paulo ainda não definimos uma data para o fórum proposto, tão logo isso aconteça, estaremos veiculando-o através dos mesmos mecanismos. Fique ligado e compareça.

No presente número de Germinal, estamos trazendo para discussão alguns temas que certamente estão postos na ordem do dia para uma análise mais criteriosa sobre a ótica da “classe-que-vive-do-trabalho” .

Em princípio, procuramos analisar a forma como a classe que possui o capital utiliza-se dos mecanismos de dominação colocados ao seu dispor em nossa sociedade para, sobre um manto de uma “democracia representativa”, recorrer aos mais abertos artifícios  de uma verdadeira ditadura de classe. Procuramos demonstrar que, mesmo sem Ter governantes usando fardas, a ditadura do capital perpassa todos os aspectos da nossa vida cotidiana, quer seja no âmbito cultural, econômico, político e/ou social.

Procuramos analisar também o visível crescimento dos movimentos sociais na América Latina no intuito de identificar alguns sinais do que pode parecer uma retomada, mesmo que ainda tímida, dos movimentos de massa nesse continente. A guerrilha colombiana, a resistência ao mais novo golpe do Fujimori no Peru, a situação atual na Venezuela, o levante no Equador, as guerrilhas mexicanas e as ações do MST aqui no Brasil, são alguns dos movimentos que estamos comentando agora, mesmo que de maneira inicial.

Outros dois temas que julgamos merecer uma apreciação deste periódico está submerso no campo da ideologia. Ambos relacionam-se diretamente com o atual padrão de acumulação e buscam encontrar espaços próprios de realização em meio a presente crise econômica que apesar de retrair o mercado consumidor tem aberto novas esferas de valorização do capital.

O primeiro deles diz respeito ao que chamamos de “fetichização da arte”, ou ao processo de embotamento das consciências que é atingido por meio de uma massificação de determinados produtos “artísticos” , impondo um padrão de cultura popular essencialmente comercial, onde o que mais importa é tornar palatável a produção artística afim de que esta seja também consumida em série e sempre em maior escala.     

O outro tema diz respeito ao que ficou conhecido como uma das maiores “paixões nacionais”: o futebol. Pois é, queremos fazer algumas considerações acerca da verdadeira indústria que se criou em torno do esporte mais popular do mundo. O que tem a ver o crescimento das cifras em torno do futebol, com a crise econômica mundial??? O que faz com que alguns ícones deste esporte ganhem salários mensais superiores a US$ 1 milhão e tenham seus passes estipulados acima de 40 milhões de dólares??? Quem ou o que está por trás do imenso poder da FIFA???

Estaremos também, lançando em breve, uma edição especial de Germinal acerca das eleições...   Não perca!!!

Então, vamos, por hora, ao Germinal de número 5...