EDITORIAL

 

TERRORISMO NOS ESTADOS UNIDOS!

Estupefação! Perplexidade! Horror! Os Estados Unidos foram feridos seriamente no último dia 11 de setembro: viu desabar como que implodidas as duas torres gêmeas e outros prédios do complexo do World Trade Center. Assistiram, atônitos, seu antes inexpugnável território ser “bombardeado” por seus próprios aviões comerciais. Sobrou, pasmem, até para o Pentágono.

Quem imaginaria tamanha ousadia, precisão, capacidade de planejamento e organização? Mais que tudo, quem imaginaria tamanha vulnerabilidade da maior potência militar do planeta? É claro que isso não é uma festa; é uma guerra! É claro que inocentes foram mortos, em mais um dos tantos atentados da humanidade contra ela própria. A posição do Jornal Germinal não é a de apoiar atentados terroristas, nem de recorrer aos seus métodos, mas não podemos interpretar um fato de tamanha importância apelando ao maniqueísmo reducionista tão característico do Império Americano. Mais do que as torres e o Pentágono,  atingiram um símbolo, um símbolo do imaginário americano e mundial.

CRISE NA CÚPULA

O movimento dos policiais, ocorrido nos últimos meses, foi mais do que um simples “motim”, como tentou caracterizar o governo federal. Ele foi uma “fratura exposta” no braço armado dos governos estaduais e compõe um cenário de insatisfações que está crescendo a cada dia.

A exemplo de 1997, quando houve uma paralisação que envolveu 13 estados e resultou em uma morte em Minas Gerais, o movimento alastrou-se rapidamente, com adesões significativas que simplesmente deixaram os governadores imobilizados, pois estes não tinham mais na mão o comando da força para mandar reprimir e conter uma greve.

Mas desta vez surgiu um complicador, ausente em 1997: os saques, os assaltos, as mortes, e os arrastões acontecidos, durante a greve na Bahia. A cidade de Salvador viu sair de suas entranhas os sem-teto, sem-comida, sem-emprego, ou seja, a miséria urbana exibiu a sua verdadeira face.  Aproveitando-se da ausência da polícia, sempre pronta para reprimir, essa massa de despossuídos saiu às ruas para tomar o que lhes é negado no cotidiano de forma violenta.

 Mesmo com a intervenção do Exército, a cidade ficou um caos: os bancos e o comércio fechados, a população quase sem ônibus, extremamente assustada, recolhida em suas casas, sentindo medo de tudo e de todos.

Segundo os próprios policiais, a greve acabou, mas a mobilização não. Em contrapartida às medidas anunciadas pelo Governo Federal em conjunto com governadores de 10 estados atingidos pelas paralisações — criação de uma Guarda Nacional, considerar crime as greves no sistema de segurança e o fim do direito dos policiais terem os seus sindicatos — as lideranças do movimento realizaram um Encontro Nacional, em Porto Alegre, no qual deliberaram pela construção de uma greve nacional unificada das polícias Civil e Militar, possivelmente em novembro deste ano.

Os Governadores dos Estados e o Governo Federal parecem desconhecer que as contradições sociais também estão presentes entre as suas forças armadas. No entanto, o que eles sabem muito bem é que essas polícias não podem mais continuar operando da forma como estão. O objetivo é modernizar o aparato repressivo, atualizando-o de acordo com as novas necessidades. Quem não lembra do Programa de Segurança Nacional, proposto pelo Governo Federal no ano passado, em que previa a criação de uma polícia especializada para conter ocupações de terras e prédios públicos?

Ou mais ainda, basta acompanharmos as sucessivas reportagens que a Folha de S. Paulo tem publicado sobre os  agentes do Exército que são treinados para espionar jornais, empresas, sindicatos, movimentos sociais, para que seus comandantes não sejam “surpreendidos em situações desvantajosas”. E mais: as informações obtidas pelos espiões são compartilhadas com o restante do governo, que, por sua vez, também é espionado pela mesma rede de agentes formados pela Escola de Inteligência criada pelo governo FHC, em 1997.

Levando-se em consideração os recentes acontecimentos políticos que levaram ao afastamento de congressistas da base do governo, do porte de ACM e Arruda, e agora Jader Barbalho, numa rearrumação das elites dominantes, além de greves das polícias e espionagens do Exército, podemos afirmar que se vislumbra uma verdadeira crise na cúpula do poder, sem contar que a economia cambaleia com a queda da taxa de crescimento do PIB e a crise de energia. Para piorar, a recessão dos Estados Unidos, acirrada com os recentes ataques, promete dias ainda mais difíceis.